Brasil anuncia parceria estratégica com a Malásia para produção de Chips Semicondutores
Em um movimento de grande relevância geopolítica e industrial, o Brasil avança na construção de uma parceria estratégica com a Malásia para a produção de semicondutores. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, confirmou a criação de uma joint venture entre a empresa brasileira Tellescom e a companhia malasiana Inari. O anúncio foi feito durante a visita oficial da comitiva presidencial a Kuala Lumpur, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma série de acordos de cooperação bilateral.
A iniciativa visa fortalecer a retomada da indústria nacional de chips e permitir que o Brasil se insira de forma mais ativa em uma cadeia produtiva global considerada vital para a economia moderna. A parceria tecnológica terá como foco principal a produção de semicondutores destinados a veículos elétricos e híbridos, além de equipamentos essenciais para a transição energética, alinhando o desenvolvimento industrial do país às demandas da sustentabilidade.
Esta ação está intrinsecamente ligada à reativação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), a única fábrica de semicondutores do país, cuja operação foi retomada pelo governo federal com o objetivo de fomentar a inovação e garantir a soberania tecnológica nacional. A ministra Luciana Santos destacou a importância de o Brasil não se manter à margem deste setor, especialmente após recentes crises globais de suprimentos que paralisaram indústrias em todo o mundo.
Segundo a ministra, o projeto se fundamenta no modelo de “tríplice hélice”, articulando a iniciativa privada, a academia e o Estado para alcançar resultados concretos. “Com isso, mobilizamos todo o ecossistema que envolve a empresa privada, neste esforço com a Malásia, e também nossos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento”, afirmou. Como parte dessa sinergia, oito engenheiros brasileiros já concluíram um curso de capacitação de dois meses na Malásia, focados na nova rota tecnológica que será implementada no Ceitec.
Adicionalmente, a ministra ressaltou o vasto potencial do Brasil na produção de terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos cruciais para a fabricação de motores, baterias e componentes eletrônicos. O país detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, e o governo recentemente instalou o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) para assegurar que a exploração desse patrimônio seja orientada pelo desenvolvimento científico e pela sustentabilidade, fortalecendo ainda mais a posição do Brasil nesta estratégica cadeia industrial.


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